Tento manter a minha cabeça ocupada, o meu corpo ocupado.
Mas nada me basta que não sejas tu.
Nada me tem tanto como tu.
Vou dando um pouco de mim por aí...
Mas ninguém me recebe como tu.
Nem eu recebo ninguém como te recebo a ti.
Podia dizer que não mo permito, mas é mentira.
Tu és tão mais em mim, és tanto em mim.
E o que és em mim vai muito além da simples permissão.
Roubaste-me o discernimento há tanto tempo...
E aqui estou eu, a ceder aos meus caprichos no corpo de
outro alguém.
Caprichos... Será que entendes a diferença?
Tento apagar-te de alguma forma com momentos de desprazer.
De olhares vazios, conversas vazias, sexo vazio.
Vazio. O vazio que há em mim, de tão completa que estou de
ti!
Contudo, eu consigo viver sem ti.
Tu sabes que nunca dependeria de ti a minha felicidade.
Mas eu não quero uma vida sem ti.
Procurei-te por tanto tempo ainda antes de saber o que
serias,
Ainda antes de conhecer a dor da impossibilidade de não viver
algo assim.
E agora, sem ti nada tem o mesmo sabor. Nada tem sabor.
De tantas coisas que poderia desejar,
Os teus braços envolvendo-me é tudo que mais quero.
O que mais preciso. Voltar ao meu porto de abrigo.
Porque todos os outros abraços são menos. São só abraços.
E eu não posso. Eu não quero viver com o que é menos.
É em ti que quero ficar.
Talvez porque nunca tenhas estado verdadeiramente aqui,
Agora sinta tanto a tua falta.
Curioso, não é?
Continuarei o caminho que não escolhi mas...
É em ti que vou ficar.






