É bom que saibas.


É bom que saibas.
Não quero perder-te. 
Mas muito menos me quero perder de mim.
Posso – vou – mudar de ideias, sítios, mudar-me, 
mas não os meus valores. 
Se vieres com real desejo de ficar estão tens de te dar.
Eu sou como areia que se escapa pelas mãos se não me agarras. Agarra-me a tempo de eu não ter de partir. Agarras?
É bom que saibas.
O meu corpo precisa ser amado, como se fosse o teu templo sagrado. Mas ainda assim exijo que o meu corpo seja pouco para o que desejas descobrir de mim.
Nunca devemos aceitar menos que aquilo que damos. 
E eu não aceito.
É bom que saibas.
O teu corpo nunca me chegará para me teres para sempre. O que me dizes não me chega para me teres para sempre. 
E eu não sou melhor que todas as outras mulheres, mas tenho de o ser aos teus olhos e nas tuas mãos. Única.
Sou mulher de se ver a olho nu. 
Preciso me rir, me vir, chorar e sentir intensamente. 
Amar mais ou menos mata-me a essência
Terás de ver mais que pele, presença ou beleza exterior. 
Eu sou tão mais que isso. A vida é tão mais que isso. Consegues ver a mulher que sou?
É bom que saibas.
Correrás eternamente o risco de me perder a qualquer momento se não te deres ao amor. 
Já tantos me perderam seguros da minha entrega... 
Se me queres tua, faz-te meu. 
Quem me agarra ter-me-á para sempre. 
Estás disposto a agarrar-me? 
Terás de abdicar de algumas coisas para me teres. Eu sou mulher para abandonar o que já não me pertence também. 
Se ainda assim sabes que te compensa, então vem. 
Mas se não, deixa-me ir.
 Tenho urgência em Ser e Sentir.
É bom que saibas.
Outros me querem. 
Atentos... dispostos à entrega a tudo aquilo que sou.
 Outras te quererão também. Mas enquanto me amares – ama-me! – jamais alguém mexerá comigo. 
 Não deixes que mais alguém mexa contigo também.  
É bom que saibas.
O amor é reciprocidade. É sabermos que não somos estáticos. É respeitarmo-nos ao respeitar o outro.
 É correr o risco de abrir o nosso livro secreto a outro olhar atento. É não precisar mais de fingir ou fugir. 
E ainda que tudo te pareça uma lamechice, 
De tudo o que mais desejo,
é o amor que sempre me terá nas mãos.
Estás disposto a dar-te?

Dá-te ou perde-me para sempre.

É bom que saibas.

Saudade




Tenho saudades tuas.
Nos teus olhos vi algo que jamais me haviam mostrado.
Tu consegues ver-me. Só tu.
Só tu me arrancas aquelas gargalhadas loucas
no meio dos lençóis.
E derretes-te ao ver-me assim feliz. Derretemo-nos.
Eu sei do teu carinho por mim, 
mesmo quando dizes que tens medo do amor.
Mas eu nem sequer preciso que o digas, sabes?
Talvez ainda antes das palavras tu e eu já fossemos nós.
Tive medo de te dizer... mas tu és o único que me toca.
O corpo. A alma. És tão raro em mim.  
Somos tão diferentes, mas as nossas almas procuram 
tanto uma pela outra.
Os nossos corpos procuram tanto um pelo outro.
Eu pensava que tinha tudo o que queria...até chegares tu.
Perdemo-nos do medo mesmo morrendo de medo... 
E não tens receio de receber-me por inteiro.
Aprecias a minha beleza como jamais outro 
homem apreciou.
 Eu sinto. Eu vejo.
Desejas-me por dentro e por fora.
Quem sou. Como sou. 
E por mais voltas que a vida dê, 
o teu lugar estará para sempre aqui.
Pertence-te.
E agora entendo que o valor está na intensidade 
das coisas...
Nem tenho suportado ouvir aquela música...
Arrepio, dor, felicidade...
Reviver o toque da tua lingua pelas minhas costas
Aquele toque. O teu toque.
Recordar o teu sorriso, o teu olhar...
Tudo tão teu. Tão meu. Tão nosso.
Volta rápido para o lugar de onde nunca saíste. 
Tenho tantas saudades tuas.

Mas fico


Dá-me de ti.
Dá-me desse tudo onde me quero perder
E perdida, em teus braços me encontrar
Abandonando a culpa de um dia não me ter permitido amar.
Despindo a pele que não sabe se um dia soube o que era amar.
A hoje sei? Não sei se sei.
Mas quero-te.
Mas fico.
Mas me encontro tantas vezes em ti.
Talvez por não saber, esteja já tao perto do que é.
E quantas vezes hesitei por te saber de outro alguém
E quantas vezes hesitei por me saber de outro alguém.
E aqui estamos nós, longe de outras almas que amamos
Longe dos tantos corpos que tocamos.               
Sempre tão perto e tão longe das memórias que eternizamos.
E ambos sabemos disso. E mesmo assim, em cacos, nos unimos.
Dizemos adeus à solidão, e nos fazemos senhores de um corpo só
Ainda que mais uma vez. Mas acreditando que esta é a vez.
E de que nos vale ter medo do amanhã? Ou até insanamente do hoje?
O que nos trás o medo de perder, senão a própria perda?
Temos ainda tanto que nos reinventar... Amor...
Porque não nos reinventarmos juntos?
Eu quero ser quem hoje me faço diante ti.
Eu quero que sejas quem hoje te fazes diante de mim.
Abandonemos o que não nos pertence mais.
Mas eu, sempre fiel à liberdade e ao desapego, sinto agora essa dor.
A dor do que possa não ser transparente.
É essa a dor que carrego na pele e não me larga.
Abre-me as mãos para que eu possa ver-te.
Olha-me nos olhos para que eu possa amar-te.
Faz-me acreditar.
Deixemo-nos viver.
Mas até para viver é necessário estabelecer o que se quer da vida.

Dás-me de ti?

Quem me perdeu



Quem me perdeu.
Quem me perdeu, sabia.
Só as tuas mãos poderiam cuidar-me. 
Encontrar-me.
Só contigo eu iria encontrar-me perdida.
O amor nunca é menos que nos encontrarmos perdidos.
E de todos os caminhos que percorri,
Por capricho ou por crença,
Foste o único onde fervorosamente desejei ficar.
Até aí, não sabia o que queria. 
Não te sabia.
Talvez tenha amado, talvez...
Mas quem me perdeu sabia,
Que quem sonha não vive das coisas lógicas.
Que só se ama quando se fecham os olhos.
Só se vive de olhos fechados.
Os loucos correm sem olhar para trás.
E quem me perdeu sabia.
Que só tu não me tentarias deter,
Que só tu correrias junto a mim.
Confesso nem sempre ter sido sincera comigo mesma,
Ninguém o é antes de conhecer caminhos 
onde se queira perder
Eu não o fui antes de (me) te encontrar.
Quem me perdeu sabia.
Tu perfeitamente para mim.
O amor nunca é menos que desejar permanecer
apesar das imperfeições.
Quem me perdeu sabia.
Que quem ainda deseja perder-se,
Não pode parar de correr.

Só poderias ser tu.

Não ousas amar



Não ousas amar.
És escravo do teu corpo. Do teu medo.
Tomas o medo por liberdade e finges para ti mesmo que és assim...
Dono dessa liberdade que escolheste,
Que nada mais te trás além de amarras.
Não te permites saborear o amargo e doce risco de amar...
Tens ânsia de te dar, mas jamais te entregas.
Tens fome de sentir, mas impões-te limites.
Como se sente com limites?
Não vale a pena tentares vender-me as tuas teorias 
já tão gastas...
Vende-as a quem ainda não tenha ousado amar,
 tal como tu.
Eu já não vou a tempo sequer de as querer ou poder entender.
Como podes não ousar amar o corpo que está nas tuas mãos e se reclama teu?
Como podes assumir-te livre e limitares-te
ao mero desejo do teu corpo?
Calas uma troca de olhares com um copo de vinho,
Esperando que tudo o que possas vir a sentir 
se dilacere naquele momento.
E dizes que não acreditas em contos de fadas...
Nem eu.
Mas o amor é indomável.
E no entanto, tu não ousas amar.

Deliciosamente loucos




És tão deliciosamente louco.
Fico presa nesse olhar frio, doce, louco...
Tão presa...tão livre que quase ouso não segurar meus pensamentos
E se não fosses tão louco, eu juro que te fariam corar.
Provocas-me com essas palavras que só a ti é permitido dizer.
E finges que não sabes que já me rendi ainda antes das minhas mãos dizerem "sim"...
Entro no teu labirinto e não quero mais encontrar a saída.
E já não sei quem sou... Adoro perder-me contigo!
És tão deliciosamente louco...
E fazes-me começar essa dança louca para ti.
As minhas mãos tocam o meu corpo enquanto me olhas,
Abandono os meus pruridos ao teu olhar atento.
Toco-me e o meu corpo grita pelo teu sem inibição.
As tuas mãos delineiam as minhas costas.
Os teus lábios percorrem o meu pescoço,
Aproximam-se dos meus prometendo um beijo que não chega.
Mordes-me e apertas-me contra ti...
Dominas-me, domino-te...
Testamos os limites do lascivo.
E tudo mais parece ser indescritível por palavras...
Só a própria loucura que nos avassala poderia entender-nos.
És tão deliciosamente louco.
E quem nunca desejou perder-se entre o doce e o amargo?


Somos tão deliciosamente loucos.

É em ti que vou ficar




Estás em todo o lado.
Tento manter a minha cabeça ocupada, o meu corpo ocupado.
Mas nada me basta que não sejas tu.
Nada me tem tanto como tu.
Vou dando um pouco de mim por aí...
Mas ninguém me recebe como tu.
Nem eu recebo ninguém como te recebo a ti.
Podia dizer que não mo permito, mas é mentira.
Tu és tão mais em mim, és tanto em mim.
E o que és em mim vai muito além da simples permissão.
Roubaste-me o discernimento há tanto tempo...
E aqui estou eu, a ceder aos meus caprichos no corpo de outro alguém.
Caprichos... Será que entendes a diferença?
Tento apagar-te de alguma forma com momentos de desprazer.
De olhares vazios, conversas vazias, sexo vazio.
Vazio. O vazio que há em mim, de tão completa que estou de ti!
Contudo, eu consigo viver sem ti.
Tu sabes que nunca dependeria de ti a minha felicidade.
Mas eu não quero uma vida sem ti.
Procurei-te por tanto tempo ainda antes de saber o que serias,
Ainda antes de conhecer a dor da impossibilidade de não viver algo assim.
E agora, sem ti nada tem o mesmo sabor. Nada tem sabor.
De tantas coisas que poderia desejar,
Os teus braços envolvendo-me é tudo que mais quero.
O que mais preciso. Voltar ao meu porto de abrigo.
Porque todos os outros abraços são menos. São só abraços.
E eu não posso. Eu não quero viver com o que é menos.
É em ti que quero ficar.
Talvez porque nunca tenhas estado verdadeiramente aqui,
Agora sinta tanto a tua falta.
Curioso, não é?
Continuarei o caminho que não escolhi mas...
É em ti que vou ficar.